Tendências e recomendações em Negócios e Investimento de Impacto

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Tendências e recomendações em Negócios e Investimento de Impacto

Entrevistamos Célia Cruz, Diretora Executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE),  atuante no campo dos investimentos e negócios de Impacto no Brasil desde 2010 e, Lysa Ribeiro, Coordenadora de Comunicação do ICE, que trabalhou quase 6 anos no programa Florestabilidade na região amazônica.

 

Tendências em Negócios e Investimentos de Impacto

O ICE foi fundado por empresários investidores há quase 20 anos e já teve diferentes frentes de atuação, entre elas o desenvolvimento comunitário e a gestão de ONGs. A partir de 2012, mudou o foco para atuar diretamente com finanças sociais, negócios de impacto e investimento de impacto. “Como estávamos entrando em uma temática nova, fomos muito cuidadosos em olhar os atores que já atuavam com o tema. Percebemos que um lugar que poderíamos ocupar era o de articulador do ecossistema com o papel de colaborativamente gerar propostas para o campo avançar.”, comenta Célia. Como articulador, o ICE cria a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto (novo nome da Força Tarefa de Finanças Sociais) que, em parceria com várias organizações atuantes no campo, lança 15 recomendações para mover esta agenda no Brasil. Ao acompanhar estas recomendações, o ICE consegue ter uma percepção das tendências na área.

A temática de negócios de impacto ainda é recente e o lado positivo é a rápida ascensão do campo. “O campo é muito novo, mas está escalando super rápido. A Pipe Social, há 2 anos atrás, mapeou 579 negócios de impacto social. Hoje são mais de 1.700 cadastrados na plataforma.”, destaca a executiva.

Por outro lado, a executiva do ICE alerta que o acesso a capital ainda é mais focado para negócios mais consolidados, sendo que a maior parte dos empreendimentos ainda são embrionários (early stage, como é conhecido no universo de startups). “Essas empresas não estão na fase de captar R$ 1 milhão em investimento – foco dos fundos de investimento -, mas estão precisando de doações ou empréstimos de valores bem menores. Muitas famílias, fundações e empresas já estão entendendo que é necessário ter diferentes tipos de capital e instrumentos financeiros para as diferentes fases do negócio.”, justifica.

No contexto amazônico, Lysa contextualiza: “Muitas pessoas têm a percepção que o jovem amazônico quer sair da região. No entanto, percebemos justamente o oposto. O jovem quer persistir na região, pensando em como a tecnologia e novos formatos de negócio podem transformar o contexto local.”

Lysa ainda destaca a importância de respeitar a cultura local amazônica. “A lógica de produção é familiar, cooperativa e comunitária. Além disso, muitos empreendimentos estão em áreas protegidas. Essa nem sempre é a lógica dos investidores, que buscam escala.”, comenta. Termina com um questionamento importante: “O que é escalar na Amazônia?”

 

Recomendações em Negócios e Investimentos de Impacto

“Com a visão de contribuir com o setor, o ICE, em parceria com diversos atores do ecossistema, acompanha os avanços das recomendações e metas para o Brasil.”, destaca Célia, que também já geriu a Ashoka, uma das organizações pioneiras no suporte a empreendedores sociais. Vale destacar algumas das recomendações da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto e suas metas para 2020:

  • “Uma das recomendações é que grandes empresas comprem produtos e contratem serviços de negócios de impacto social”, comenta e executiva. Desta forma, tantos os negócios tradicionais como os de impacto social se beneficiam, uma vez que as empresas conseguem ter uma cadeia de valor mais sustentável e os negócios de impacto conseguem se qualificar e escalar.
  • Outra recomendação é que Institutos e Fundações Empresariais destinem 5% de seus investimentos e doações anuais ao desenvolvimento do campo do investimento e negócios de impacto.
  • Entre as recomendações também está a de mobilizar a Academia. Por exemplo, uma das sugestões é estimular que instituições do Ensino Superior incluam as temáticas de investimento e negócios de impacto, e empreendedorismo social na grade curricular das mais variadas áreas. “O ICE trabalha atualmente com uma rede de 75 professores universitários de 45 universidades, dentro da docência, ou seja, levando o tema para a sala de aula, mas também apoiando pesquisa e extensão universitária.” Esse programa é uma atuação direta do ICE. “Como temos um panorama do setor, identificamos com outros atores do campo que precisávamos formar a próxima geração de talentos para trabalhar no campo e um gargalo era o potencial de trabalhar com os professores universitários”, explica a diretora.
  • Outra recomendação é o fortalecimento de incubadoras e aceleradoras. “Já temos incubadoras e aceleradoras focadas no setor, como Artemísia, Quintessa, Ashoka, Din4mo e Nesst, mas ainda existem outras 400 aceleradoras e incubadoras que ainda não focam em negócios de impacto”, comenta Célia.  O ICE, em parceria com o SEBRAE e ANPROTEC, organiza formações para esse público, apoia com consultorias e eventos, incentivando a inclusão dos negócios de impacto em seus portfólios de apoio e investimentos. “Neste programa já trabalhamos com mais de 50 aceleradoras e incubadoras”.

Para saber mais sobre as recomendações, acesse o site: https://aliancapeloimpacto.org.br/recomendacoes/

 

Importância de eventos para conectar os pontos

O ICE também é responsável, junto com a VOX e Impact Hub, pela organização do Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, que em junho deste ano reuniu mais de 1.100 participantes.

“O Fórum é um evento que traz a fotografia do setor”, comenta Célia. Dentro do evento, é possível explicar e unificar o conceito de negócio social para os diferentes atores. “Os eventos são um ótimo meio de construir de forma coletiva o conteúdo e as pautas importantes para a região, bem como quebrar as bolhas, trazendo novos e diferentes atores”, complementa.

O “I Fórum de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia”, que acontecerá nos dias 13 e 14 de novembro em Manaus, foi um dos selecionados pelo ICE para compor uma série de eventos regionais como estratégia para ampliar o conhecimento sobre as temáticas Brasil adentro. Para saber mais sobre o evento e se inscrever, clique aqui.

Célia ainda destaca: “O Fórum é uma ótima forma de tangibilizar o tema, trazendo apresentações de empreendimentos reais que têm sustentabilidade financeira e impacto socioambiental, além de trazer especificidades da região que precisam ser conhecidas, compreendidas e apoiadas.”

2018-10-16T18:33:39+00:00 16 de outubro de 2018|Notícia, Projetos Incubação e Aceleração de empreendedores|0 Comentários

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