No final de junho, dezenas de pessoas estiveram reunidas em Manaus, participando do Lab Amazônia: Desafio Logística e Comercialização de produtos da Sociobiodiversidade da Amazônia. Promovido pela Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e pela Climate Ventures, com apoio do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o evento reuniu representantes de diversos setores: empreendedores de impacto amazônicos, empresas de transporte e logística, integrantes de organizações da sociedade civil e de empresas. 

Ao todo, cerca de 40 pessoas se reuniram para buscar soluções a partir das seguintes questões: Como viabilizar ferramentas ou instrumentos de comercialização que permitam reduzir os custos de logística e comercialização para pequenos/médios negócios sustentáveis na Amazônia? Como uma rede de colaboração entre empresas de transporte, prestadores de serviço e outros atores estratégicos pode ajudar a reduzir os custos e aumentar a repartição dos benefícios para as comunidades, melhorando o escoamento de produtos locais? Como é possível criar mais valor para os produtos da sociobiodiversidade amazônica por meio de storytelling, parcerias comerciais e outras soluções que valorizem os impactos sociais e ambientais desses produtos?

Essas questões não são novas. Mas o que se pretendeu com o Desafio é encontrar soluções novas para perguntas que já estão postas. A partir do início do funcionamento do Programa de Aceleração da PPA – que selecionou 15 negócios de impacto para apoiar ao longo de 2019 – as dificuldades de logística e comercialização foram apontadas como um fator determinante para o sucesso desses arranjos produtivos que envolvem empreendedores e comunidades que tiram seu sustento do uso sustentável de produtos da floresta Amazônica, tais como cacau, café, cupuaçu, açaí, peixes, pimenta, guaraná, borracha, mel, dentre outros. 

Com base nisso foi lançado o Desafio, que teve como objetivo trazer diversos olhares que pudessem gerar soluções inovadoras para essas questões, contribuindo para o fortalecimento dos negócios de impacto na Amazônia. 

Usando uma metodologia adaptada dos Labs de Inovação Aoka, o Desafio baseou-se em um processo de ação coletiva para que líderes de diferentes setores compreendam melhor oportunidades e desafios e busquem soluções concretas, que possam gerar benefícios para as organizações e o ecossistema no menor tempo possível. 

Antes do workshop de um dia reunindo todo esse grupo, realizado no dia 28 de junho em Manaus, foram feitas entrevistas com empreendedores e prestadores de serviços para compreender os principais gargalos e oportunidades, além da curadoria e engajamento de parceiros para construção das soluções.

Em espaço aberto de ideação, os participantes apresentaram ideias para solucionar os desafios, buscando aglutinar as pessoas em grupos de afinidade, e a partir disso partiram para a prototipagem de oito projetos apresentados, cujos temas são variados: mapeamento tributário, envolvimento de empreendedores focados em soluções, criação de um grande centro de distribuição em São Paulo, valorização do mercado local, escalonamento da produção de borracha, ampliação e reaproveitamento de estruturas de frete, criação de uma marca forte que fomente a comercialização dos produtos amazônicos, aglutinar plataformas que já existem numa grande plataforma da sociobiodiversidade, englobando vários territórios.

“O encontro foi muito produtivo. Além das conexões que aconteceram, com várias pessoas, de áreas diferentes, todas com o propósito de desenvolvimento com impacto positivo na Amazônia, durante o evento foram propostas soluções bem interessantes e com grande potencial para de fato ajudar a solucionar essas questões de logística, de comercialização e divulgação. Espero que a gente consiga colocá-las em prática, porque de fato elas vão gerar um impacto bem importante no sistema de negócios locais na Amazônia”, avalia Joanna Martins, da empresa Manioca.

Mariano Cenamo, coordenador da PPA e responsável por novos negócios do Idesam, avalia que o evento superou as expectativas: “Saímos com oito protótipos, vários deles soluções ambiciosas e estratégias bem definidas. Várias conexões individuais foram estabelecidas, o que era também um dos objetivos aqui, gerar parceiras entre os próprios participantes. Muita gente compartilhando aprendizados e soluções sobre logística, transporte regional, entrepostos de distribuição, várias propostas que estão sendo criadas sob demanda para a região amazônica. Foi interessante ver especialistas em logística conversando com empreendedores que batalham para fazer seus produtos chegarem no mercado, e como um “estalo de dedos” saírem soluções viáveis para os seus negócios. Esses são os resultados práticos que esperávamos gerar desde o início dessa jornada”.

Cada grupo vai avançar em um plano de ação e avançar para promover a implementação de soluções que resultem em benefícios concretos para os negócios, visando sempre a redução de custos e emissões de CO2, maior eficiência, otimização de recursos e aumento de benefícios paras as comunidades produtoras. 

Daniel Contrucci, da Climate Ventures, diz que o potencial desse Desafio é muito grande: “São redes de redes, organizações que estão representando diferentes regiões da Amazônia, e o que está saindo aqui é um marco em termos de colaboração em prol de algo que é muito maior do que a própria agenda dessas organizações e iniciativas participantes, e que diz respeito a um futuro mais sustentável para a floresta. Resolvendo alguns desses gargalos e potencializando o trabalho desses empreendedores, institutos e organizações será possível criar um marco para alavancar essa economia da floresta viva e mostrar que é possível ter desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida dessas populações valorizando um conjunto de ativos que essa floresta tem para oferecer ao mundo. Essa economia da sociobiodiversidade é uma realidade e tem potencial para colocar o Brasil em um outro patamar”.