O estado do Pará é o segundo maior do Brasil. Reúne diversidade, gastronomia, cultura e exuberante natureza, ao mesmo tempo em que figura como uma das regiões de maior desmatamento da Floresta Amazônica no país.

É de lá também que surgem propostas de soluções para esse dilema, dentre elas a atuação dos negócios de impacto acelerados este ano pela Plataforma Parceiros Pela Amazônia (PPA). Isso ficou evidente na Chamada de Negócios realizada pela PPA em 2018, que selecionou 15 negócios para o Programa de Aceleração 2019. Destes, sete estão localizados no Pará, atuando nas áreas de alimentação, acessórios e comércio internacional, incluindo comunidades em suas cadeias de valor, promovendo o comércio justo e a valorização da biodiversidade amazônica. Na Chamada deste ano, que selecionou outros 15 negócios de impacto para aceleração em 2020, 26% dos 201 inscritos estão localizados no Pará. Seis foram escolhidos para participar da nova turma de aceleração.

Conheça os negócios acelerados em 2019

Conheça os negócios selecionados para o Programa em 2020 

Fortalecendo ainda mais essa vocação de busca e fomento de soluções para modelos de desenvolvimento sustentáveis, a Plataforma Parceiros pela Amazônia reúne empresas localizadas no estado do Pará, comprometidas com a promoção de padrões mais inclusivos para suas populações e com a conservação da biodiversidade.

E é com esse espírito que essas empresas participam, no dia 07 de novembro, do seminário Parcerias do Setor Privado pela Conservação da Amazônia, que abordará temas como inovação, fomento de cadeias de valor locais, mecanismos de repasse, bioeconomia e empreendedorismo. As apresentações contarão com o apoio de mais de 30 empresas participantes da Plataforma, entre elas Agropalma, Beraca Ingredientes Naturais, Cargill, Hydro, Imerys, Natura, Sol Informática e Vale. Além das empresas com atuação em relevantes segmentos produtivos nos cenários nacional e internacional, entre os membros da rede estarão presentes ainda importantes associações setoriais como ABAG, AIMEX e Simineral.

Quatro grandes painéis abordarão as contribuições do setor privado para a conservação da Amazônia, apresentando iniciativas em investimento em negócios de impacto; fomento a cadeias de valor amazônicas; mecanismos de repasse de recursos; e usos socioambientais para áreas de reserva privadas.

“As diversas iniciativas em prol do desenvolvimento socioambiental da Amazônia são muito importantes. Porém, sem incluir o alicerce econômico, elas não param em pé. A importância da PPA no Pará e em outras regiões amazônicas é fomentar iniciativas sustentáveis e economicamente viáveis. Para a conservação da Floresta Amazônica, negócios que visem uma atuação aliada ao ambiente, que também inclua o desenvolvimento social das regiões e de populações marginalizadas e que contribuam para a economia local e até do país, são extremamente importantes”, avalia Erica Pereira, Supervisora de Sustentabilidade da Beraca, integrante da PPA. A empresa fornece ingredientes para mercados de produtos de cosméticos e farmacêuticos e atua em 105 comunidades em todo o Brasil, beneficiando cerca de 2.500 famílias, sendo que 85% desses beneficiários estão localizados na Amazônia.

Domingos Campos, diretor de sustentabilidade da Hydro – empresa que integra também a PPA e participa do seminário no Pará -, afirma que “o desenvolvimento local sustentável só é possível com colaboração, um dos nossos valores. Por isso, apoiamos e integramos fóruns como a Plataforma Parceiros pela Amazônia. A empresa mantém investimentos sociais em 14 programas e iniciativas sociais em seis municípios do Pará, um consórcio de Pesquisa em Biodiversidade (BRC) entre Brasil e Noruega com universidades e institutos dos dois países e atua no desenvolvimento de fornecedores locais. Esforços que refletem a estratégia de Responsabilidade Social Corporativa da empresa, alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. ”

A Suzano Papel e Celulose apoia, por meio do Programa Extrativismo Sustentável,  sete comunidades de quebradeiras de coco e uma de extrativistas de açaí, por meio de ações que desenvolvem a gestão, produção e comercialização dos produtos extraídos diretamente de suas reservas: “Acreditamos que o uso socioambiental das áreas de reserva legal, além de potencializar o desenvolvimento social e territorial, é também um meio de ampliar o diálogo com as comunidades que dependem desse recurso. A comunidade passa a ser uma aliada da empresa na conservação da biodiversidade local. É possível trabalhar ainda atividades na entressafra, como forma de complementar a renda e atrair os mais jovens. Um exemplo disso é o Programa de Artesanato, onde são desenvolvidas peças exclusivas respeitando a tradição e cultura local. Atualmente, as comunidades estão trabalhando em quatro oficinas: saboaria, biojoias, trançado e tingimento natural, ” analisa Fausto Camargo, gerente executivo de sustentabilidade da Suzano.  

A MRN, uma das mais antigas empresas do setor mineral do Pará, desde 2015 apoia o Programa Territórios Sustentáveis nos municípios de Oriximiná, Terra Santa e Faro. Gerido pela Agenda Pública, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e pela Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), o Programa tem como objetivo implementar ações de desenvolvimento sustentável e melhorar a qualidade de vida dos moradores, com vistas ao aumento de indicadores como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Produto Interno Bruto (PIB), além de avanços na educação, saúde e distribuição de renda.

 

Explorando potenciais

A PPA tem quatro Grupos Temáticos (GTs), dois deles liderados por empresas com atuação no Pará: um sobre Parcerias entre empresas e comunidades em cadeias de valor locais e outro sobre Relações com comunidades, iniciativa privada e políticas públicas.

O primeiro coordena atualmente a realização de um estudo sobre cenários de compras corporativas com identificação de oportunidades de atuação nas cadeias de valor locais e estudo de cenários de compras corporativas no estado do Pará.

O segundo coordena a realização de dois outros estudos: usos socioambientais de áreas de reserva privadas e mecanismos de repasse (fundos) para comunidades.

Um desses estudos – Investindo no desenvolvimento: modelos e instrumentos para o aporte de recursos privados em comunidades e territórios – será divulgado durante o seminário Parcerias do Setor Privado pela Conservação da Amazônia, mencionado no início desse texto.

O estudo é resultado de uma demanda das organizações envolvidas no GT de Desenvolvimento Territorial, e busca aprofundar o entendimento sobre diferentes processos e mecanismos de repasse de recursos por empresas para comunidades. Diante dos desdobramentos advindos dos influxos de capital privado em localidades na Amazônia, seu principal objetivo é disponibilizar, de forma sistematizada, casos, dados e análises capazes de demonstrar os limites e, sobretudo, as oportunidades que essas iniciativas apresentam para o engajamento de empresas e parceiros interessados.

Realizado pela Humana Sustentável, o estudo buscou identificar mecanismos de repasse, em curso e concluídos, seus processos de estruturação e metodologias, privilegiando casos brasileiros, especialmente aqueles localizados nos estados da Amazônia Legal.  A fim de estabelecer uma visão ampla dos modelos identificados, apresenta uma matriz conceitual e metodológica com registro de experiências, diretrizes e lições aprendidas.

A partir de entrevistas em profundidade com alguns atores, o estudo traz ainda uma análise das condições de replicação e recomendações de implementação dos mecanismos, orientando a adaptação a outros territórios da Amazônia brasileira a partir do setor privado. Uma leitura aprofundada de diferentes casos e contextos de implementação permite a sistematização de fatores fundamentais à construção de legados positivos, consistentes e duradouros para os territórios amazônicos.

Os outros dois estudos em curso – sobre cenários de compras corporativas e parcerias entre empresas e comunidades em cadeias de valor locais – serão publicados nos próximos meses, e se unem a outros trabalhos já lançados pela PPA em 2018: Caminhos para o investimento sustentável na Amazônia: oportunidades para a aplicação dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus (que aponta oportunidades de fomento à bioeconomia), e Investimento de impacto na Amazônia: caminhos para o desenvolvimento sustentável, (que avalia instrumentos e estratégias que podem permitir alavancar os resultados ambientais, sociais e econômicos de que a região precisa, analisa cadeias de valor com potencial de impacto positivo e diferentes empreendedores que trabalham ou podem trabalhar com essas cadeias).

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