Artesanato indígena no Território Tupi Guaporé: fonte de renda e troca de conhecimento entre gerações

Compartilhar em facebook
Compartilhar em twitter
Compartilhar em linkedin

Além de importante fonte de renda para as indígenas Paiter Suruí, o artesanato também é uma forma de transmissão de conhecimento entre as anciãs e as jovens. Na aldeia Gapgir, na Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, a produção totalmente artesanal de peças de barro tem sido uma das formas de transmissão da cultura e do modo de vida.

Com o objetivo de ajudar a fortalecer essa cadeia e buscar novos mercados para comercialização dos produtos, o projeto Nossa Floresta Nossa Casa vem desenvolvendo ações juntamente com as mulheres da aldeia, localizada no município de Cacoal, no estado de Rondônia.

Nos últimos meses, as indígenas tiveram dificuldades por causa das restrições impostas pela pandemia de COVID-19. Para apoiar as mulheres dessa aldeia e de outras TIs, uma das iniciativas do projeto foi a disponibilização de mais de 450 kits com ferramentas para facilitar a coleta e a produção. 

“O artesanato é uma forma de manter nossa cultura viva. Também aprendemos bastante com as anciãs. Nosso desafio é garantir que as mulheres continuem produzindo e consigam vender suas peças”, diz a jovem Sobitxem Suruí, líder das artesãs na Gapgir.

Também foram promovidas conversas e reflexões para estimular o olhar empreendedor das artesãs, valorizando o trabalho e a condição para geração de renda. Um dos temas tratados foi o da necessidade de incorporar os custos no valor da venda de cada peça.

Para a indígena Carina Cinta Larga, da Terra Indígena Roosevelt, o fortalecimento do trabalho tem um impacto positivo nas comunidades. “O artesanato é uma renda muito importante para nós, as mulheres dependem dessa renda, e ainda mais fortalecendo a nossa cultura, que precisamos passar de geração para geração”, afirma Carina.

Biojoias

O grupo de artesãs da aldeia Gapgir reúne 59 mulheres, sendo muitas delas jovens, que produzem panelas de barro, xícaras, fruteiras, jarras e outros utensílios domésticos. Alguns são fabricados para uso em festas comemorativas. Elas também criam biojoias de sementes, fibras, algodão e cascas de coco.

Segundo Sobitxem, uma das dificuldades para trabalhar com as sementes é a coleta em lugares de difícil acesso na floresta amazônica. Por isso, ainda neste ano, está previsto o plantio de sistemas agroflorestais familiares e o início de um plano piloto na aldeia para recuperar áreas, por meio da semeadura direta. Essa técnica é chamada de “muvuca”, palavra de origem indígena que significa mistura.

“Esse piloto será feito no âmbito da parceria da Forest Trends com a Fundação Arbor Day, em colaboração com a Ecoporé e a Associação Rede de Sementes do Xingu, para plantar em Terras Indígenas um milhão de novas árvores usando técnicas agroflorestais desenvolvidas para aumentar o armazenamento de carbono, apoiar a biodiversidade da floresta e promover a geração de renda para as comunidades”, explica Tatiana Tintino, consultora da Forest Trends.

Fortalecimento da cadeia

O projeto Nossa Floresta Nossa Casa é coordenado pela Iniciativa Comunidades e Governança Territorial da Forest Trends (ICGT-FT), um dos implementadores da Parceria para a Conservação da Biodiversidade na Amazônia (PCAB), com parceria da Greendata – Centro de Gestão e Inovação Socioeconômica e Ambiental e da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) na operacionalização e gestão.

Desenvolvido desde 2019, o projeto atua nos estados de Rondônia e de Mato Grosso, nas TIs Igarapé Lourdes, Kwazá do Rio São Pedro, Rio Branco, Rio Mequéns, Roosevelt, Sete de Setembro, Tubarão Latundê e Zoró. Ao todo são 21 povos em oito Terras Indígenas. 

Visa o fortalecimento da governança e de iniciativas econômicas indígenas. Busca esse objetivo por meio da estruturação prioritária das cadeias de valor da castanha-do-Brasil, cacau, açaí e artesanato, além de formações em governança econômica territorial, para que sejam criadas boas condições de acesso ao mercado. Faz ainda a articulação com parcerias comerciais baseada em princípios de comércio justo e ético.

A TI Sete de Setembro fica na fronteira entre Mato Grosso e Rondônia, trecho que integra o Corredor Etnoambiental Tupi Mondé, uma grande porção de TIs ligadas entre si. Esse corredor compõe o chamado território Tupi Guaporé, que inclui ainda o Corredor Ecológico Binacional Itenez-Mamoré-Guaporé e o Tupi Kwahiva.

São mais de 5 milhões de hectares de áreas protegidas, onde moram mais de 10 mil pessoas, das quais 80% são indígenas.

Para saber mais sobre o projeto, acesse: ppa.org.br/portfolio