Autonomia indígena: Fortalecer negócios com foco na governança territorial e conservação da biodiversidade

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Aprimorar o processo de produção da castanha-do-Brasil e a gestão da cooperativa, permitindo que indígenas, principalmente mulheres, tenham renda e fortaleçam a conservação da biodiversidade. Esses objetivos estão entre as prioridades da Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (COOPAITER) ao fechar novos acordos para fomentar a melhoria de mecanismos de gestão produtiva, comercial e financeira.

Por meio do projeto Nossa Floresta Nossa Casa, a Forest Trends articulou uma parceria com a NESsT e a Conexsus, todos membros da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA), para apoiar a COOPAITER com programas de assessoria, capacitação e recursos para capital de giro, compra de equipamentos e outros materiais. 

A cooperativa, a partir desse arranjo, também passou a fazer parte do Programa Direitos e Recursos Indígenas da Amazônia (AIRR, na sigla em inglês), liderado pela NESsT em parceria com a WWF-Brasil e que recebe apoio da USAID (conheça mais aqui).

Protagonista nesta articulação, a cooperativa conta atualmente com cerca de 200 cooperados, dos quais 40% são mulheres. Criada pelos Paiter Suruí, atende comunidades da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia. “A expectativa é que a gente consiga ampliar ainda mais os investimentos. Com essas parcerias não ficamos sozinhos e conseguimos pensar em formas de melhorar a gestão”, diz Elisângela Suruí, gerente de produção da COOPAITER. 

Segundo ela, a ideia é alavancar a produção de castanha-do-Brasil na TI Sete de Setembro, incrementando as práticas, que vão desde a coleta da semente na floresta até o processamento. Essa é uma importante atividade extrativista do manejo florestal não madeireiro sustentável, ajudando a conservar a Amazônia. A produção mobiliza anciãos, adultos e jovens – durante a safra, eles passam dias na floresta coletando, lavando e armazenando a castanha para a venda. 

Uma das implementadoras da Parceria para a Conservação da Biodiversidade na Amazônia (PCAB), com apoio da USAID/Brasil, a Forest Trends já vem trabalhando desde 2019 com a cooperativa em outras iniciativas no contexto do Nossa Floresta Nossa Casa. 

O Nossa Floresta é coordenado pela Iniciativa Comunidades e Governança Territorial da FT em parceria da Greendata – Centro de Gestão e Inovação Socioeconômica e Ambiental e a PPA na operacionalização e gestão, visando fortalecer a governança territorial e iniciativas econômicas indígenas.

“Buscamos facilitar a construção de acordos, fortalecer a organização social, articular o acesso ao mercado, entre outras ações importantes para apoiar a resiliência econômica e a governança territorial indígena. Trabalhamos muito na perspectiva da autodeterminação e da autonomia indígena para fortalecer e aprimorar capacidades, com base na valorização da cultura de cada povo indígena. Mantendo sempre em vista a governança territorial, articulamos para criar vínculos entre os vários parceiros e estruturar negócios”, explica Márcio Halla, coordenador na FT do Nossa Floresta Nossa Casa.

Para Marcelo Cwerner, gerente de Portifólio da NESsT, a parceria é uma oportunidade de aprendizado. “Estamos atuando no sentido de fortalecer os negócios indígenas e gerar renda. E, com isso, eles conseguem continuar desempenhando o papel que já fazem muito bem: o de proteger a natureza, a biodiversidade e os territórios. Vamos aprender muito.”

Segundo Paula Castanho, assessora da Conexsus, além de contribuir com o fortalecimento das condições de gestão financeira, do manejo agroextrativista (com apoio ao planejamento da produção) e com recursos para capital de giro e compra de equipamentos, a expectativa é desenvolver atividades de capacitação que incluam jovens, mulheres e aproximem os cooperados.

“Por meio da Plataforma Conecta/Conexsus, o aprimoramento dos cooperados, feito pela assessoria, vem sendo possível, além de apoio à diversificação comercial com a plataforma e-commerce/Negócios pela Terra/Conexsus e outras atividades. Também já fizemos análises sobre as dificuldades mais eminentes para girar a safra da castanha-do-Brasil. A COOPAITER aderiu ao crédito do Fundo Conexsus para apoio a capital de giro. Estamos trabalhando em diversas frentes.”

Selo inédito

Em outubro, a COOPAITER foi a primeira cooperativa indígena em Rondônia a receber o Selo Nacional da Agricultura Familiar (Senaf). Com isso, será permitida a comercialização dos produtos em todo território nacional e também para exportação. Para rastrear a origem, é utilizado um código QR com a numeração de cada um.

Além da castanha, os cooperados também produzem açaí, banana, cacau e, principalmente, café sustentável. 

Desde os anos 1980, o povo Paiter Suruí cultiva o café, mas a partir de 2018 a produção ganhou destaque com a participação de um grupo de indígenas na Semana Internacional do Café, evento anual realizado em Belo Horizonte (MG). 

“Eles já são organizados e têm grande interesse de crescimento, de aprender, aprimorar os controles e adquirir novas ferramentas de gestão. Estão sempre dispostos a entender mais”, completa Marissa Renaud, gerente de Portifólio da NESsT.

Secretário Executivo da PPA, Augusto Corrêa destaca que o desenvolvimento sustentável da Amazônia só é possível se encarado como uma responsabilidade coletiva e compartilhada. “É importante encontrar sinergias e construir pontes entre diferentes atores do ecossistema para que possam cooperar e, dessa forma, ampliar as capacidades de atuação no território. Aqui, podemos ver um claro exemplo de colaboração entre importantes parceiros da PPA trazendo oportunidades para os povos da floresta. Essa é a missão de uma plataforma, essa é a missão da PPA.”