Com o slogan “A prevenção está em nossas mãos”, nova fase da campanha de comunicação para mitigação dos riscos da Covid-19 na Calha Norte Paraense amplia diálogo com comunidades

Compartilhar em facebook
Compartilhar em twitter
Compartilhar em linkedin

Você sabia que a sua saúde é resultado daquilo que você faz e da forma como você age? Esse questionamento está em destaque em folders e posts de redes sociais da nova fase da campanha de comunicação do projeto Mitigação de Impactos da Covid-19 e transição para uma economia sustentável na Calha Norte Paraense, como parte da iniciativa PPA Solidariedade: Resposta à COVID-19 na Amazônia, com ações da Agenda Pública como representante do Programa Territórios Sustentáveis (PTS). 

Com o objetivo de apoiar populações vulneráveis a se protegerem e aprimorar os processos de saúde e vigilância em resposta ao novo coronavírus, desde o início ficou definido que informar era essencial para atingir resultados positivos. A equipe da Agenda Pública, então, elaborou a campanha “Eu uso máscara porque te respeito”, veiculada em 2020. Agora, buscando ampliar o diálogo com as comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, a nova fase da campanha tem o slogan “A prevenção está em nossas mãos”.

A ideia da atual etapa da campanha é mostrar que os cuidados que cada um tem consigo mesmo em ajustar a máscara no rosto, usar álcool em gel, lavar as mãos com água e sabão, manter o distanciamento social e tomar a vacina são indispensáveis para uma conquista coletiva: vencer a pandemia. Assim como em todo o Brasil, no Pará a crise sanitária, econômica e social causada pelo novo coronavírus se agravou nos últimos meses.

“Nossa decisão foi criar peças de comunicação de sensibilização e orientação contemplando veículos e canais de fácil acesso para o público-alvo”, diz Valéria Lapa, consultora de comunicação que apoiou a criação das novas ações. “E ter figuras centrais, personagens, que tenham representatividade diante desse cenário, falem a língua dos moradores locais. Isso aproxima, promove engajamento e adesão”.

Os influenciadores locais escolhidos foram Áurea Sena, mulher quilombola, e Waltinho Kamaruara, homem indígena, que evocam pela etnia a questão da ancestralidade, muito presente na região Norte do Pará. “Também trouxemos com eles a questão de gênero. Ambos são jovens, mobilizadores sociais e já têm um ciclo de contatos forte no território, o que ajuda a multiplicar as informações”, diz Valéria.

As mensagens de ambos estão em rádios e carros de som dos municípios de Terra Santa, Faro e Oriximiná, além das mídias sociais do projeto e as dos próprios influenciadores Waltinho veiculou, ainda, os spots nos barcos que utiliza para distribuição de cestas básicas e material de higiene pessoal para populações mais afastadas. 

Um dos desafios do trabalho é o não acesso por parte da população à internet e às redes sociais. “Para contornar essa realidade, trabalhamos com as lideranças comunitárias via WhatsApp para que repassassem as informações às comunidades”, destaca Valéria. A distribuição de cartazes e folders também contou com a contribuição de lideranças locais dos municípios como profissionais da prefeitura e representantes de organizações sociais.

Inovação

Ao se inspirar na cultura local para se aproximar do público, a equipe da campanha criou uma paródia, na qual a letra aborda a pandemia e a importância do cuidado, de maneira lúdica e leve. A letra foi escrita por Waltinho Kamaruara e interpretada por duas jovens indígenas. 

“Foi muito importante participar dessa campanha da PPA Solidariedade e ajudar a disseminar  as orientações nos territórios. Nossa população é muito carente de informações seguras”, diz Waltinho, que sabe que é um ponto de referência para sua comunidade. “As pessoas entenderam que se estamos falando é coisa séria, porque há uma conexão”. Para ele, a resposta do público vem sendo positiva e constrói compreensão do contexto que estão enfrentando.

Um dos problemas notados recentemente é a resistência à vacina. “Tem gente negando a vacina, algo que sai até da boca de lideranças. E não é porque a vacina foi aprovada que pode relaxar. Há todo um processo para essa imunização chegar a todos e as recomendações como uso da máscara nesse momento é essencial”, reforça Waltinho.

Em um dos vídeos nas redes sociais, Áurea Sena também destaca que não é hora de deixar os cuidados. “É necessário que cada um continue fazendo a sua parte. A vacina foi aprovada, mas os meios de prevenção continuam valendo. Sei que é difícil ficar longe das pessoas que amamos, mas neste caso se faz necessário. É para o nosso bem, para cuidar das pessoas que amamos”.

Preocupação

Diante do agravamento da pandemia e da disseminação das fake news relacionadas à vacinação, ficou cada vez mais preocupante a recusa de indígenas e quilombolas em receberem o imunizante. “Temos monitorado essas notícias e nessa última etapa da campanha, colocamos outras pessoas nos vídeos, como o pajé Itambé, liderança do sul da Bahia, que tem 86 anos. Com a presença dele, que já tomou as duas doses da vacina, a ideia foi mostrar a importância da vacinação de indígenas e de idosos”, afirma Valéria.

A fala de uma enfermeira de Terra Santa também foi incluída entre os vídeos veiculados. Ela intensifica o pedido para que a população siga as orientações de precaução e que recebam a vacina. Com esses personagens reais, há a expectativa de diminuir os efeitos das fake news. Vale destacar que o tema sobre recuperação econômica inclusiva é abordado nessa etapa da campanha, sob a perspectiva de que a manutenção dos cuidados necessários são a chave para a recuperação econômica.

Até o momento, as três primeiras campanhas de comunicação desenvolvidas atingiram mais de 100 mil pessoas nos territórios entre flyers e banners (37.500), divulgação de jingles em rádios e carro de som (38.354) e vídeos e conteúdo de redes sociais (69.520).

As ações foram possíveis por meio da iniciativa “PPA Solidariedade: Resposta à COVID-19 na Amazônia”, uma parceria entre Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), NPI Expand por meio da Palladium, Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e SITAWI Finanças do Bem com co-investimentos da Mineração Rio do Norte (MRN).