Mulheres indígenas a frente de ações de resgate cultural

O coletivo de mulheres Cinta Larga, chamado “Wanzeej Pakup Pit”, que em português significa “Mulheres Guerreiras”, tem atuado desde 2019 com o objetivo de lutar pelas demandas das indígenas da Terra Indígena Roosevelt. Um dos pontos mais importantes dessa luta é a retomada da conexão do povo Cinta Larga com suas origens, promovendo atividades que possam valorizar a cultura tradicional da comunidade. Desde 2020, com as adversidades impostas pela pandemia, estão sendo realizados projetos voltados à segurança alimentar das famílias, como a retomada do trabalho nos roçados, que vinha deixando de ser uma tradição dentro das aldeias, e sendo substituídos pela aquisição de alimentos da cultura não indígena.

Mulheres indígenas do Coletivo Wanzeej Pakup Pit. Foto: Acervo PPA.

Em 2022, como um passo adicional, foi realizada a primeira oficina de resgate de uma peça tradicional do artesanato Cinta Larga: a cestaria feita com fibra de tucum. Segundo as anciãs, há um trançado que caracteriza e diferencia as cestarias do povo Cinta Larga de outras da região que fazem parte do tronco Tupi Mondé. Sendo assim, as mulheres se mobilizaram e contaram com apoio da Iniciativa Comunidades e Governança Territorial da Forest Trends para reunir as sabedoras e mulheres de diferentes gerações para que o saber e a prática tradicional pudessem ser transmitidos. A oficina contou ainda com a participação dos homens da aldeia, que no início da mobilização do coletivo de mulheres resistiram e desacreditaram que as articulações lideradas por elas poderiam gerar resultados. Atualmente, o coletivo é reconhecido e teve um importante papel ao estimular o envolvimento de diversos indígenas no engajamento em ações de fortalecimento e união do povo.

Mulheres indígenas do Coletivo Wanzeej Pakup Pit. Foto: Acervo PPA.

Segundo Carina Cinta Larga, liderança das mulheres do povo Cinta Larga da TI Roosevelt, “essa oficina significou muito no estímulo ao resgate, e trouxe uma vontade dos participantes em continuar trabalhando com outros aspectos importantes para a cultura do nosso povo”.

Para Tatiana Tintino, engenheira florestal que lidera as ações da Forest Trends voltadas à cadeia de valor do artesanato “o artesanato indígena é um grande símbolo de resistência para os povos originários, principalmente para as mulheres que são as se envolvem marjoritariamente na produção. Cada peça carrega um conhecimento ancestral e conta a história do povo que o faz. Além disso, temos observado o quanto ele impacta diretamente a vida das indígenas a partir da renda que promove, proporcionando uma autonomia para essas mulheres. Sabendo de toda essa relevância e do grande potencial dessa cadeia para trazer impactos socioeconômicos positivos temos atuado no sentido de fortalecer e estimular ações como essa importante oficina proposta pelo coletivo de mulheres Cinta Larga.”

O trabalho do coletivo Wanzeej Pakup Pit reforça o quanto o protagonismo e a união das mulheres indígenas podem trazer resultados inspiradores e de impacto na realidade local. As indígenas Cinta Larga, com muita força e resistência, se preocupam com os desafios do mundo atual e com as gerações que virão, com seus filhos e netos, e assim, se mantêm firmes na luta pelo que acreditam, sendo motivo de inspiração para diversos outros coletivos da região.