Negócios inscritos na chamada 2021 da AMAZ têm demanda de investimento de R$ 218 milhões

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A AMAZ, aceleradora de negócios da sociobiodiversidade com atuação na Amazônia, promoveu, entre abril e maio deste ano, uma Chamada de Negócios com interesse em aceleração e investimento. 

Como resultado, recebeu 156 inscrições, vindas de 19 estados e também do Distrito Federal, sendo 43 delas originadas do Amazonas e 25 do Pará. São Paulo e Rondônia registram 20 e 9 inscrições, respectivamente.

A Chamada permite inscrições oriundas de outros estados além daqueles localizados na Amazônia Legal, contanto que ofereçam soluções para a Amazônia e se comprometam a iniciar operação na região no prazo de seis meses a partir do início da aceleração.

A maior parte dos empreendimentos inscritos está na fase de organização do negócio e também buscando tração. Embora o edital da Chamada aponte que as iniciativas deveriam estar em operação, mesmo que em fases iniciais, para participar da seleção, negócios em fase de ideia ou validação de ideia também se inscreveram. Dos 156 negócios inscritos, cerca de 20% declararam já terem sido acelerados. 

“Ficamos muito impressionados com a qualidade dos negócios e o impacto almejado por eles. Acreditamos fortemente que a construção de uma nova economia depende do desenvolvimento de empreendedores e de negócios na região”, avalia Mariano Cenamo, CEO da AMAZ e diretor de novos negócios do Idesam.

Spin-off do Programa de Aceleração e Investimento de Impacto da Plataforma Parceiros pela Amazônia,  a aceleradora surgiu em abril deste ano com o acúmulo de dois anos de experiência no ecossistema de impacto amazônico. 

Impactos

Dentre as cadeias de valor impactadas diretamente pelos negócios inscritos estão açaí e outras palmeiras, turismo sustentável, castanha, artesanato, cacau, óleos e manteigas, madeira sustentável, guaraná, café, pirarucu e outros peixes da Amazônia.

Em 35 dos negócios inscritos, a comunidade onde está inserido o empreendimento ou a região de origem da matéria prima é sócia relevante do negócio. E em 66 deles a comunidade é consultada, embora não participe das decisões e da gestão do negócio. 

Em 73,2% deles (112) há mulheres na liderança, e em 67% há pessoas negras e indígenas na liderança. A faixa etária das lideranças inscritas tem maior concentração entre 30 e 44 anos, mas há presença de pessoas entre 19 e mais de 60 anos. 

Os negócios inscritos se conectam também por todos os 17 ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da Agenda 2030 da ONU, sendo que o mais frequentemente acionado é o número oito (trabalho digno e crescimento econômico), seguido pelo 12 (consumo e produção responsáveis). 

Boa parte deles, 61, declara não possuir nenhuma prática de monitoramento do impacto que causa, mas 38 dos inscritos declaram coletar e analisar indicadores de processo e/ou operação do negócio; 16 deles dizem possuir indicadores de resultados/impactos socioambientais definidos, enquanto 29 informam tomar decisões com base na avaliação dos impactos.

“A diversidade dos negócios inscritos, em termos de impacto, cadeia de valor impactada e equipe nos chama bastante atenção. A partir desta amostra, podemos perceber que já existem negócios que estão gerando soluções para o que temos chamado de “nova economia para a Amazônia”, pautada na conservação florestal, desenvolvimento das comunidades locais e valorização da bioeconomia e sociobiodiversidade amazônica”, avalia Ana Carolina Bastida, responsável pela gestão de investimentos e portfólio da AMAZ.

Modelos de negócio

Boa parte das iniciativas têm como modelo de negócio B2C (consumidor final como público alvo) – 107 delas se declaram assim. Na sequência, 80 negócios declararam ter como modelo B2B (venda para empresas), e 64 deles B2B2C (empresas que fazem parcerias com outras empresas para chegar ao consumidor). 

Muitas das iniciativas operam em mais de um modelo de negócio, e destacam-se ainda empresas B2G (vendem para órgãos públicos) e C2C (negociação direta entre consumidores).

Quanto à natureza jurídica dos empreendimentos inscritos, registra-se a presença de sociedades limitadas, simples e anônimas, cooperativas, associações, empresários individuais, microempreendedores individuais e empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI).

Dos 156 inscritos, 04 apresentam faturamento na faixa de R$ 1 mil a R$ 1 milhão; 02 entre R$ 1,1 milhão e R$ 2 milhões; e 02 entre R$ 4,1 milhões a R$ 10 milhões. E 52 deles têm faturamento entre R$ 1 a R$ 50 mil. O que é compatível com o perfil de negócios inscritos, em sua maioria em fase de organização ou tração. 

A soma do faturamento anual dos 156 negócios inscritos é de cerca de R$ 32 milhões, e a demanda total de investimento deles é de R$ 218 milhões.

São negócios jovens, tendo em grande parte entre 01 a 05 anos de atuação. E cujos empreendedores declararam ter interesse em temas como meio ambiente, empreendedorismo, geração de emprego e renda, desenvolvimento comunitário, ciência e tecnologia. 

Próximos passos

A equipe da AMAZ vem analisando os negócios inscritos, e do total de 156, os 30 que melhor se encaixam nos critérios de seleção serão entrevistados e analisados em maior profundidade. 

Deste total, 12 serão selecionados para pré-aceleração, dos quais seis serão então classificados para o processo de aceleração, recebendo investimentos de até R$ 600 mil, e passarão a integrar o portfólio de negócios da aceleradora, que conta hoje com 12 negócios.

Sobre a AMAZ

Após pouco mais de dois anos acelerando e investindo em negócios de impacto da Amazônia Legal, o Programa de Aceleração da PPA evoluiu e se transformou na AMAZ aceleradora de impacto. A AMAZ planeja investir um total de R$ 25 milhões em 30 negócios de impacto na Amazônia nos próximos cinco anos, além de garantir a gestão e acompanhamento desses negócios pelos próximos dez anos. É coordenada pelo Idesam e tem como parceiros estratégicos e fundadores Fundo Vale, Instituto humanize, ICS (Instituto Clima e Sociedade), PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia), Good Energies Foundation e Fundo JBS pela Amazônia. Conta também com uma ampla rede de parceiros como Move.Social, Sense-Lab, Mercado Livre, ICE, Costa Brasil, Climate Ventures, Darwin Startups, Grupo Rede Amazônica e investidores privados.