SITAWI abre nova rodada para investimento de impacto positivo em negócios na Amazônia e possibilita investimentos a partir de 10 reais

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A SITAWI Finanças do Bem abriu hoje, 13 de julho, uma nova rodada da Plataforma de Empréstimo Coletivo SITAWI, com foco no desenvolvimento de negócios de impacto socioambiental positivo na Floresta Amazônica. Esta será a quinta captação realizada na Plataforma, que concluiu sua primeira rodada com sucesso em 2019. 

A rodada acontecerá através da plataforma MOVA, 1º organização no Brasil, aprovada pelo Banco Central, a ser reconhecida como Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP) — quatro negócios foram selecionados para participarem da rodada: Luisa Abram Chocolates (2014, São Paulo), que produz chocolates finos a partir do cacau selvagem da Amazônia — não plantado e encontrado na floresta em sua forma natural —, usando o processo bean-to-bar (do grão à barra); a 100% Amazônia (2009, Belém do Pará), uma comercial exportadora de mais de 50 produtos florestais não madeireiros, renováveis, como óleos, manteigas, polpas e pós —, 90% da sua produção é proveniente de mata nativa; Comaru (1992, Laranjal do Jarí), cooperativa de castanheiros da Amazônia, com mais de 50 anos de experiência com extrativismo sustentável; a Tobasa Bioindustrial (1968, Tocantinópolis), bioindústria pioneira, com inovação tecnológica, focada na eliminação do desperdício e no aproveitamento integral do coco de babaçu. Juntos, os quatro negócios contribuem para oito dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

A Plataforma de Empréstimo Coletivo é uma iniciativa da SITAWI e do Instituto Sabin. A Rodada Amazônica é uma iniciativa da PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia) e tem como parceiros estratégicos e financiadores a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), o CIAT (Centro Internacional de Agricultura Tropical) e o Instituto Humanize. 

Oportunidades para o investidor e para o empreendedor 

Por meio da Plataforma de Empréstimo Coletivo SITAWI, qualquer pessoa pode investir nos negócios de impacto positivo na Amazônia que participam da rodada. A plataforma atua no modelo peer-to-peer lending, categoria que permite, de forma digital, a transferência de recursos financeiros de uma pessoa diretamente para outra pessoa ou empresa — uma categoria cada vez mais buscada por investidores interessados em acompanhar os seus investimentos e gerar impacto positivo. 

O empréstimo proporciona — além do impacto positivo, alinhado à causa de conservação das florestas e valores dos investidores — uma rentabilidade equivalente a 6,5% ao ano, ou 191% do CDI (considerando CDI de 01 de junho de 2021). 

A Plataforma tem vantagens numa via de mão-dupla, uma vez que oferece ao empreendedor financiado condições melhores de juros em relação ao modelo tradicional de empréstimo disponível no mercado. Os empreendedores também recebem apoio técnico e consultoria da SITAWI, e parceiros, durante todo o período do empréstimo. Antes de serem selecionados, os empreendedores inscritos para pleitear o financiamento pela plataforma da SITAWI passam por um criterioso processo de diligência a fim de mensurar sua capacidade de endividamento, projeção de liquidez e validação do impacto socioambiental positivo. Essa assessoria se mantém durante todo o período de contratação do empréstimo, com o corpo técnico da SITAWI voltado para o desenvolvimento do negócio, assim como a atenção ao impacto proposto no momento da contratação dos recursos. 

De acordo com a Pipe Social, em seu estudo Mapa do Impacto 2021, 49% dos negócios de impacto socioambiental positivo no Brasil estão captando recursos. Desses, quase metade (48%) está captando aportes entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, faixa de financiamento mais escassa do mercado. “A oportunidade de financiamento trazida pela plataforma atende ao empreendedor que criou um negócio que gera impacto, mas que não tem acesso a fundos de investimentos, crédito bancário acessível”, explica Leonardo Letelier, CEO da SITAWI

Como investir 

A plataforma está disponível em sitawi.mova.vc/amazonia, em que os interessados podem visualizar o perfil, o impacto e as projeções financeiras dos negócios. Para participar, o investidor deve realizar um cadastro digital e fornecer informações tipicamente solicitadas por plataformas de investimento, assim como responder a um questionário sobre seu perfil de investidor. Depois de escolher os negócios apoiados, a pessoa faz a reserva de investimento e, para confirmar, deve realizar uma TED. Após a conclusão da captação, são emitidos os contratos de empréstimo entre as partes e o investidor recebe os títulos de CDBV (Certificado de Depósito Bancário Vinculado), que são emitidos para comprovar o investimento. 

Após um período inicial de 3 meses de carência, os investidores recebem o valor do investimento durante 33 meses, com o pagamento de parcelas mensais referentes ao principal mais os juros. Toda a operação é realizada em parceria com a MOVA, a primeira fintech de Peer-to-Peer Lending aprovada e supervisionada pelo Banco Central na forma de Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP). A SEP cria uma ponte direta entre investidores e quem busca financiamento, eliminando a necessidade de um banco e cortando custos. A Oficina de Impacto é a consultoria e agência de comunicação para negócios de impacto social e o TozziniFreire é o fornecedor oficial de apoio jurídico da rodada. Ao longo do contrato, os investidores recebem informações atualizadas, como o monitoramento e um relatório do impacto socioambiental dos negócios investidos, suas finanças e negócios. 

Conservação da Floresta Amazônica 

A Amazônia é a maior floresta tropical do planeta, e é também um repositório de biodiversidade para os povos indígenas, comunidades e todo o mundo. Ela tem papel fundamental na regulação do clima global, e funciona como estoque de carbono. A transpiração das folhas das árvores para liberar o excesso de água captada pelas raízes é fundamental para o regime de chuvas no Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil, num fenômeno conhecido como ‘rios voadores’. 

Entretanto, em novembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou os dados do sistema Prodes, que trabalha com imagens de alta resolução e é atualizado anualmente, referentes ao período entre agosto de 2019 e agosto de 2020. Nesse intervalo, o desmatamento foi de 11.088km², o equivalente a nove vezes o município do Rio e o maior patamar do histórico do Prodes desde 2008. Essa devastação reduz a biodiversidade, e a queima das árvores libera carbono na atmosfera, ampliando o aquecimento global. E tudo isso afeta diretamente os povos amazônicos, que sobrevivem a partir do uso sustentável dos recursos naturais.

Investir em negócios que valorizam a economia da floresta — gerando conservação da biodiversidade, renda para suas comunidades e preservando a cultura local — é uma forma de contribuir para a conservação da Floresta Amazônica e para uma mudança no modelo de desenvolvimento da região. Os quatro negócios de impacto que participam da rodada amazônica da SITAWI caminham nessa direção. Eles fazem parte de uma rede de empreendedorismo socioambiental que já é realidade na Amazônia, e que busca novos investimentos e apoio para consolidarem sua atuação. 

“A SITAWI apoia as organizações de impacto positivo na Amazônia, permitindo que mais pessoas possam participar da construção de entidades sólidas e robustas naquela Região — a Plataforma de Empréstimo Coletivo representa acesso a este universo de preservação da floresta e seus povos”, completa Leonardo

SITAWI e investimento de impacto na Amazônia 

Essa rodada de captação focada em negócios amazônicos é fruto da experiência da SITAWI com a implementação de soluções financeiras para negócios de impacto em todo o Brasil e de projetos de desenvolvimento social, ambiental e econômico na Amazônia. 

Desde 2017, a SITAWI coordena o Programa Território Médio Juruá, que se desenvolve no município de Carauari, no estado do Amazonas, junto a 64 comunidades distribuídas ao longo do rio Juruá e na reserva extrativista Médio Juruá e reserva de desenvolvimento sustentável Uacari. Com a participação de empresas locais, ONGs e corporações reunidas no Fórum do Território do Médio Juruá, o Programa tem como objetivo a conservação da biodiversidade, por meio da implementação de um plano de desenvolvimento territorial para a região. 

A SITAWI também é responsável pelo estudo Investimento de Impacto na Amazônia: caminhos para o desenvolvimento sustentável, lançado em 2018 no 1º Fórum de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia (FIINSA). O material aponta a necessidade de criar e introduzir novas soluções baseadas em modelos de negócios inovadores na Amazônia, destacando desafios e oportunidades para o investimento em negócios com propósito na região. 

Contexto da PPA 

Em 2019, a SITAWI passou a fazer parte da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA), uma plataforma de ação coletiva, liderada pelo setor privado, que busca a construção de soluções inovadoras, tangíveis e práticas para o desenvolvimento sustentável, conservação da biodiversidade, florestas e recursos naturais da Amazônia. Uma de suas iniciativas é o Programa de Aceleração da PPA, que seleciona organizações por meio de chamadas anuais. A última chamada recebeu 201 inscrições e selecionou 15 negócios para serem acelerados em 2020.

Em dezembro de 2019, o Programa levantou R$ 4,8 milhões em investimentos em uma rodada de negócios entre investidores e startups. Dos 15 selecionados pelo Programa, cinco integram a segunda rodada de empréstimo coletivo da SITAWI. 

*CDI em DD/MM/AAAA