Tucum mantém apoio a comunidades e se adapta para lidar com pandemia

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Criada com o compromisso de fazer uma conexão entre a arte do povo da floresta e os centros urbanos, a Tucum é uma empresa que vem trabalhando com as comunidades indígenas para empoderá-las, permitindo mais autonomia. Nesse processo de curadoria, tornou-se membro da PPA (Plataforma Parceiros pela Amazônia) em 2019. Neste ano, a Tucum participa do Programa de Aceleração da PPA em meio à preparação para a expansão do seu negócio, que já conta com lojas físicas e online.

Mas o processo teve de ser alterado por causa da pandemia de Covid-19. A PPA conversou com Amanda Santana, uma das fundadoras da Tucum, para saber como está o negócio.

Como a pandemia impactou a Tucum?

Ficamos super assustados no final de março. Falei com os parceiros, com a SITAWI, com o IDESAM sobre esse medo e essa visão catastrófica. Os pontos físicos tiveram que ser fechados – tínhamos uma parceria com uma loja em São Paulo e no Parque Laje. Mas quando veio abril a resposta do mercado foi surpreendente.

A gente se posicionou de uma forma que as pessoas se sensibilizaram com a nossa causa, tanto pelo impacto que geramos como pela oportunidade de colaborar efetivamente com essa rede de artesãs neste momento. Os recursos foram aplicados em capital de giro e, com isso, conseguimos manter a compra com todos os nossos parceiros. Fizemos os pedidos e tivemos sorte que o mercado online está superaquecido. Todo mundo está olhando para suas casas, por isso o mercado de decoração online foi um dos que mais cresceram. Pudemos proporcionar produtos para que as pessoas cuidassem de suas casas e as deixassem mais bonitas, além de colaborar com a floresta em pé e a manutenção da sociobiodiversidade.

As pessoas entenderam a importância de a gente continuar existindo. O negócio deu uma decolada. Apesar de os pontos físicos estarem fechados, a venda online subiu muito, cerca de 50%. Isso deu uma segurada muito boa no nosso faturamento. Estávamos bem estruturados para poder aproveitar as oportunidades que a crise apresentou. Conseguimos um aumento de 30% no faturamento. Abril, maio e junho foram muito bons, julho também foi legal. A gente subiu de patamar e estamos conseguindo nos manter assim.

A Tucum teve apoio da PPA durante a crise?

Os investimentos que nós tínhamos eram de capital de giro, e por isso mantivemos as compras com os fornecedores e comunidades. Tivemos o apoio do Programa para fazer o acompanhamento financeiro, que nos ajudou a ter mais clareza sobre os números. Isso é super importante, porque dá uma segurança. E também a SITAWI estendeu nosso empréstimo, para nos ajudar a entender como ficaria esse fluxo de caixa.

Temos o apoio da rede, como a parceria com o Mercado Livre, além dos encontros (virtuais). Estamos tendo as aulas, participei de um módulo de branding que foi incrível. A gente está aprendendo muito sobre as técnicas de negócio. De comunicação até as finanças.

Sentimos que tem uma rede que acredita no nosso projeto. Só de saber que não está sozinho, você dorme, tem um sono mais leve, mais tranquilo.

Como está sendo o contato com as comunidades durante a pandemia de COVID-19?

Continuamos em contato constante, virtual, na medida do possível. Está todo mundo isolado, os artesãos entraram para suas terras. Temos mais contato com as associações que estão na linha de frente, fazendo a contenção para dar apoio para as comunidades durante a pandemia de COVID, mantivemos a geração de renda para eles. Quando alguém ou alguma liderança precisa sair da comunidade, aproveita, traz o artesanato e manda. Estamos criando estratégias e respeitando. Estamos em contato para colaborar da forma como podemos.

Além disso, a Tucum está em um processo de mudança para ser um marketplace, que devemos lançar em outubro. Os grupos poderão vender para o consumidor final e nós só vamos fornecer a tecnologia para intermediar a venda. Preparamos uma capacitação para os grupos que vão participar do piloto, que são os kayapó da Floresta Protegida, os carajás da Casa de Cultura Carajá, a Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia e a Galeria Amazônica, de Manaus.

Esses quatro grupos vão se posicionar como lojas dentro da nossa plataforma. Vamos treinar os gestores, a maioria indígenas, para tocarem o negócio do artesanato online. Por causa da pandemia, o treinamento vai ser a distância, mas será transformado em podcast para que possamos enviar para as comunidades depois.

Como é ser membro da PPA, além de estar no Programa de Aceleração?

Achamos super importante. Já temos um conhecimento muito grande de Amazônia. Meu sócio trabalha há quinze anos na Amazônia, eu já trabalho há quase dez.  Entendemos muito de cadeia produtiva do artesanato, mas também de outras cadeias. Acho que, mesmo sendo uma empresa muito pequena, temos um conhecimento da base, de quem está dentro da floresta, que pode contribuir muito para o ecossistema dessas empresas maiores que têm menos conexão com quem está na ponta. Acredito que também nasça como uma plataforma que nos propomos a ser.  E cada vez mais caminhando nesse sentido, de também sermos uma plataforma para trazer essas comunidades, elas serem PPA também. Todo mundo está começando a ter a mesma visão e isso é importante para o planeta Terra. Acho que tem tudo a ver estar inserida nesse meio ambiente.

Poder acessar a rede e trocar com outros players do mercado, para gente é super enriquecedor e importante.